segunda-feira, 1 de março de 2010
Alegrias
Minha alegria é assim, por nada e independente. Para surgir não precisa de um acontecimento exuberante. Ela vive em mim. É minha companheira constante. Acompanha-me desde pequena, mesmo quando não parecia existir. Em alguns momentos me perco dela, mas logo nos encontramos. Ela vive em minha alma. E vivemos felizes assim.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Uma vida inventada
Já faz mais de um mês, li em apenas uma semana “Uma vida inventada”, de Maitê Proença. Leitura gostosa me fez conhecer um pouco não a atriz famosa, mas a mulher de fibra que muitos desconhecem que ela seja. Mulher como qualquer outra, com marcas da vida, mas que não se esconde atrás delas. Sensível, forte, corajosa, terna, espirituosa, madura, centrada, superior...qualquer adjetivo é pouco para descrevê-la. Eis algumas passagens do livro:
Não sou certinha, não sou calma, não penso numa coisa só, o sangue me corre quente, sou da briga e quero brincar, dou risada alto, falo baixo, tenho explosões de alegria e fico muito, muito triste. Mas não me faço de coitadinha e não choro à toa ou por falta de coragem.
E, assim enganando-me, deixei de ser uma pessoa assustada e defendida, para aprender que não se morre de intensidade. Morre-se, ao contrário, pelo embrutecimento. Deve ser por isso que hoje a medida das coisas muitas vezes me escapa.
Neste mundo não há saída: há os que assistem, entediados, ao tempo passar da janela, e há os afoitos, que agarram a vida pelos colarinhos.
Carimbada de hematomas, reconheço, sou do segundo time.
A satisfação estava no percurso, e eu sempre soube que alcançar o topo da montanha para espiar o outro lado era apenas a motivação para seguir no caminho.
...às vezes não sei bem se aquilo que penso é o meu próprio pensamento e se o que desejo é meu querer ou de outro.
“A gente sempre escreve contra a morte”. A Louca da casa - Rosa Monteiro.
É duro ter que viver dia após dia consigo mesmo: o grande cansaço é de si próprio.
O fato é que as pessoas mentem descaradamente, e por motivos diversos inventam toda uma vida para si.
Minha mãe era uma hedonista que amava todas as coisas. Foi criada sem referências paternas, sem afeto de pai e mãe, num colégio interno onde seu charme inato cativava alunas e professores. Para ela as regras eram mais brandas. Quando saiu dali para o mundo, quis da vida tudo o que pudesse sorver. Amava a família, mas amava todo resto também. Não tendo aprendido abrir mão de nada, conciliava o inconciliável da única forma possível, mentindo. Minha mãe foi extremamente feliz até o dia de sua morte. Meu pai amargurou-se todos os dia de sua vida.
A gente só ama eternamente, ininterruptamente, os mortos.
O tempo escoa inclemente com sua batida ligeira, e há uma nova urgência no fazer das coisas. Não contemplo a serenidade esperada e, inquieta, me impaciento no remoer de ocasiões perdidas. Por que não tive mais filhos, por que não cultivei mais amigos, por que falei quando era hora de ouvir, por que não sosseguei com o parceiro amado, por que não bebi menos e percebi mais, por que hoje há tantos porquês onde antes havia apenas um dia após o outro?
...fui solta e intuitiva como minha mãe. Hoje percebo que vivi cada dia para dar vida a Margot. Viajei o mundo, conheci pessoas diversas, me enfronhei por outras culturas, amei e experimentei todos os prazeres, cantei, pulsei, senti, olhei e sorvi cada minuto com grande interesse. Olhando para trás entendo que fiz por minha mãe como imaginei que ela teria gostado de fazer – e sem ter que morrer por isso. Sigo assim por ela e por mim. Sigo subindo e descendo as montanhas para saber o que há atrás da paisagem. Haverá, possivelmente, outra montanha muito parecida com esta em que me encontro agora, mas, como tenho pregados na memória aqueles primeiros tempos em busca de alegrias essenciais, não acharei isso maçante: a satisfação está no percurso, e alcançar o topo para espiar o outro lado é só a motivação para seguir no caminho, para seguir no caminho, para seguir simplesmente no caminho.
Esta noite tive um pesadelo. A verdade se encontrava do outro lado de um vasto oceano, e eu não sabia nadar.
E em pouco tempo me vi surpresa com a capacidade das pessoas de reinventar a vida transfigurando-a para que fique mais suportável.
Não sou certinha, não sou calma, não penso numa coisa só, o sangue me corre quente, sou da briga e quero brincar, dou risada alto, falo baixo, tenho explosões de alegria e fico muito, muito triste. Mas não me faço de coitadinha e não choro à toa ou por falta de coragem.
E, assim enganando-me, deixei de ser uma pessoa assustada e defendida, para aprender que não se morre de intensidade. Morre-se, ao contrário, pelo embrutecimento. Deve ser por isso que hoje a medida das coisas muitas vezes me escapa.
Neste mundo não há saída: há os que assistem, entediados, ao tempo passar da janela, e há os afoitos, que agarram a vida pelos colarinhos.
Carimbada de hematomas, reconheço, sou do segundo time.
A satisfação estava no percurso, e eu sempre soube que alcançar o topo da montanha para espiar o outro lado era apenas a motivação para seguir no caminho.
...às vezes não sei bem se aquilo que penso é o meu próprio pensamento e se o que desejo é meu querer ou de outro.
“A gente sempre escreve contra a morte”. A Louca da casa - Rosa Monteiro.
É duro ter que viver dia após dia consigo mesmo: o grande cansaço é de si próprio.
O fato é que as pessoas mentem descaradamente, e por motivos diversos inventam toda uma vida para si.
Minha mãe era uma hedonista que amava todas as coisas. Foi criada sem referências paternas, sem afeto de pai e mãe, num colégio interno onde seu charme inato cativava alunas e professores. Para ela as regras eram mais brandas. Quando saiu dali para o mundo, quis da vida tudo o que pudesse sorver. Amava a família, mas amava todo resto também. Não tendo aprendido abrir mão de nada, conciliava o inconciliável da única forma possível, mentindo. Minha mãe foi extremamente feliz até o dia de sua morte. Meu pai amargurou-se todos os dia de sua vida.
A gente só ama eternamente, ininterruptamente, os mortos.
O tempo escoa inclemente com sua batida ligeira, e há uma nova urgência no fazer das coisas. Não contemplo a serenidade esperada e, inquieta, me impaciento no remoer de ocasiões perdidas. Por que não tive mais filhos, por que não cultivei mais amigos, por que falei quando era hora de ouvir, por que não sosseguei com o parceiro amado, por que não bebi menos e percebi mais, por que hoje há tantos porquês onde antes havia apenas um dia após o outro?
...fui solta e intuitiva como minha mãe. Hoje percebo que vivi cada dia para dar vida a Margot. Viajei o mundo, conheci pessoas diversas, me enfronhei por outras culturas, amei e experimentei todos os prazeres, cantei, pulsei, senti, olhei e sorvi cada minuto com grande interesse. Olhando para trás entendo que fiz por minha mãe como imaginei que ela teria gostado de fazer – e sem ter que morrer por isso. Sigo assim por ela e por mim. Sigo subindo e descendo as montanhas para saber o que há atrás da paisagem. Haverá, possivelmente, outra montanha muito parecida com esta em que me encontro agora, mas, como tenho pregados na memória aqueles primeiros tempos em busca de alegrias essenciais, não acharei isso maçante: a satisfação está no percurso, e alcançar o topo para espiar o outro lado é só a motivação para seguir no caminho, para seguir no caminho, para seguir simplesmente no caminho.
Esta noite tive um pesadelo. A verdade se encontrava do outro lado de um vasto oceano, e eu não sabia nadar.
E em pouco tempo me vi surpresa com a capacidade das pessoas de reinventar a vida transfigurando-a para que fique mais suportável.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
dilema de Balzac*
Pode parecer estranho, mas tenho sentido vontade de completar 30 anos. Pular os 29.
Imagine:
- Quantos anos você tem? Pergunta alguém.
- 29. Você responde.
Vinte e nove! Olha que idade esquisita. Vinte nove não é nem vinte, nem trinta. Meio termo. Não sei explicar muito bem. Parece idade de quem já tem mais de trinta e esconde a idade certa. O fato é que trata-se de uma idade feia. Soa idade de pessoa mais velha, enquanto 30 parece de uma pessoa jovem entrando na maturidade. Sente a diferença?!
Tenho sentido tanto desejo de completar 30 que me pego fazendo planos para a comemoração como se fosse este ano. Esqueço que não é agora. Não quero fazer 29, quero pular. Acho tão bonito 30.
- Quantos anos você tem? Pergunta alguém.
- T-R-I-N-T-A! Eu respondo.
Praticamente uma harmonia sinfônica.
Por isso decidi, esse ano completo 30. Não faz diferença nenhuma 29 pra 30. Vinte nove pra trinta está como R$1,99 pra R$2,00. E ficarei por dois anos com 30. Olha que magnífico. Dilema resolvido.
curiosidade
*Balzac, ecritor francês, publicou o livro "A mulher de 30 anos", no qual faz uma apologia às mulheres de mais idade, que emocionalmente amadurecidas, podem viver o amor com maior plenitude.
Imagine:
- Quantos anos você tem? Pergunta alguém.
- 29. Você responde.
Vinte e nove! Olha que idade esquisita. Vinte nove não é nem vinte, nem trinta. Meio termo. Não sei explicar muito bem. Parece idade de quem já tem mais de trinta e esconde a idade certa. O fato é que trata-se de uma idade feia. Soa idade de pessoa mais velha, enquanto 30 parece de uma pessoa jovem entrando na maturidade. Sente a diferença?!
Tenho sentido tanto desejo de completar 30 que me pego fazendo planos para a comemoração como se fosse este ano. Esqueço que não é agora. Não quero fazer 29, quero pular. Acho tão bonito 30.
- Quantos anos você tem? Pergunta alguém.
- T-R-I-N-T-A! Eu respondo.
Praticamente uma harmonia sinfônica.
Por isso decidi, esse ano completo 30. Não faz diferença nenhuma 29 pra 30. Vinte nove pra trinta está como R$1,99 pra R$2,00. E ficarei por dois anos com 30. Olha que magnífico. Dilema resolvido.
curiosidade
*Balzac, ecritor francês, publicou o livro "A mulher de 30 anos", no qual faz uma apologia às mulheres de mais idade, que emocionalmente amadurecidas, podem viver o amor com maior plenitude.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Quando eu me for...
Gosto deste lugar. Sinto-me bem quando escrevo aqui e sinto falta quando não o faço. Estive pensando...quando eu morrer estarei de alguma forma eternizada aqui neste blog.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
domingo, 21 de fevereiro de 2010
"coragem que a vida pode mais"
Se salva do tédio quem tem um olhar apaixonado para as pequenas coisas do dia-a-dia, quem tem o espírito aberto para promover insignificâncias a grandezas, quem tem um entusiamo natural e constante. Estou salva!
Demorei mas me rendi ao Facebook. Tenho uma certa resistência a essas ferramentas do mundo tecnológico.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
quereres
Quero tantas coisas que às vezes me perco ao querer muito e sem saber o que quero de verdade. Mas eu sei, no meio de tanto quereres, sempre me encontro.
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