quinta-feira, 17 de março de 2011

Divã (mais uma vez)

Lembra do livro Divã, da Martha Medeiros, que virou filme e depois peça de teatro (não necessariamente nessa ordem)? Pois então, agora ele virou série da TV Globo e entra no ar em abril. Divã é a história de Mercedes, interpretada pela atriz Lília Cabral, que descobre quanta coisa ela pode mudar em sua vida e passa a viver mais plenamente se permitindo errar e acertar. A série será uma continuação do filme. Após o término do casamento e a perda de sua melhor amiga, Mercedes recebe alta da terapia. E ela coloca em prática sua maior paixão que é as Artes Plásticas. Consequentemente, as mudanças trazem novas questões e ela volta ao divã para buscar novas respostas às novas perguntas.

Pra mim o filme traz muitas reflexões. Eu particularmente adoro. Já assisti diversas vezes. E uma das cenas com texto mais lindo é quando Mercedes acompanha a amiga Mônica ao hospital para pegar os ressultados de alguns exames. Mônica esconde o resultado, mas está com uma grave doença. E nesse momento elas trocam algumas palavras, quando a Mônica diz algo paredcido com isso "Mercedes, eu sempre fui antiga, mesmo nova eu já era antiga" se referindo que ela sempre quis a vida dela do jeito que é, sempre se imaginou casada, com filho, cuidando da família... acho essa uma das mensagens mais linda do filme.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Um conto II

Era noite. E bem estranha: fria na rua, abafada em casa. Após um longo e cansativo dia de aventuras e desafios – as aulas de física quântica já haviam voltado – um tragitrânsito a caminho de casa. Os delinquentes à solta, caotizando os transeuntes, expondo a violência gratuita e consumindo as drogas urbanas que os consomem. Nas vias expressas, o estresse põe os nervos à mostra, um parachoque de tensão para cada carro no limbo das curvas.

Depois de atravessar a caoscidade, chegamos ao nosso destino. O cheiro do mau-presságio emana dos esgotos, das valas, dos sinos das igrejas. O frio da rua dá impressão de névoa densa que enegrece a visão. De tão turva, enxerga-se meio palmo à nossa frente.

Então, irrompemos ao interior do castelo. A densidão desaparece, ofuscada pelo torpor abafado das largas paredes que parecem se deslocar em nossa direção. O sufocamento é inevitável e a claustrofobia vem à tona, apertando a garganta e retirando todo o pouco ar que nos resta.

De um cômodo para outro, percebo a diferença. Invisível, mas presente. Intocável, mas incômoda. Até que, a caminho do salão principal, ouço sons indecifráveis vindos da masmorra mais alta. Serão gritos? Espasmos? Será o som da morte após a mais cruel tortura?

Apreensão. O medo paralisa, ao mesmo tempo que empurra de encontro ao inesperado. A atração é quase que magnética e nos força a passar pelo último batente que nos separa do salão principal. A visão percorre o chão, buscando e ao mesmo tempo receando encontrar o que de pior poderia haver, quando se depara com a criatura.

A estatura é extrema, a roupa de palhaço macabro. O rosto maquiado com uma pintura mortal, e da boca escorria sangue. Nas mãos, um ramalhete de bexigas coloridas, cheias de ódio e ressentimento. E vem em nossa direção, um, dois, três, oito, dez desses vultos... quando a luz se acende. A vista ofusca.

Para minha sorte, os vultos ganham formas reais e reconheço um por um. Uma festa surpresa, rostos de alegria, sorrisos, abraços, afagos, felicitações. São familiares, amigos, pessoas do bem. Mas três convidados, no fundo do recinto, já faleceram. Há anos...

terça-feira, 8 de março de 2011

Bom dia, Azaléias!

Levantar meio dia e se deparar com flores do Marido não tem preço. Assim que vi , além de comentar "ai que lindooooo", fiquei me perguntando o motivo das flores: alguma comemoração especial que eu havia esquecido? Ai que mancada! Uma das frases no cartão dizia que eu era uma nova mamãe D+. Pensei: como assim??? Hoje vou almoçar na minha mãe e não comprei presente de dias das mães. Mas não é domingo, nem maio, aimeudeus! Outra frase dizia "parabéns pelo seu dia!". Nem pensei, logo perguntei: "Marido, meu dia? Que dia?". (Começo a acreditar que grávidas realmente ficam mais esquecidas e que a vitamina contribui para esse efeito). Ele: "Dia das mulheres". Derreto-me: ai que FOFO!

Eu, Ben e Capitu temos muita sorte!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Encantamento

Estar gestante é a melhor coisa do mundo. Você se sente iluminada. As pessoas ao seu redor te enxergam assim. Isso é no trabalho, na rua, no metrô, em reuniões com pessoas que você nunca viu. Você se torna o ser mais especial do mundo. É todo mundo dizendo que você está linda, radiante, iluminada. E as pessoas não dizem para te agradar, de fato você se torna tudo isso e um pouco mais. É inexplicável dizer o que sinto. Mas eu tenho me sentido uma super herói, cheia de força e vitalidade. Toda vez me pego pensando: estou carregando um ser humano dentro de mim. Tem outro ser aqui dentro! Uma pessoinha!!! E como a Dani me disse bem no começo: "agora você tem que se cuidar, pois são dois corações batendo aí dentro". Sim, são dois, um acelerado que parece bater mais rápido que o meu que agora vive apertado, mas batendo de tanta emoção. E isso dá tanta força. Eu já não penso mais em mim e sim nesse outro serzinho que cresce aqui. O jeito de ver a vida muda. Você passa a viver em estado de graça. E se dá conta de quanta coisa tem para apresentar a quem vai chegar, que pra você pode até ser tudo velho, mas que se tornará tudo novo, encanto, beleza, vida, luz, felicidade, sempre.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Qual é o nome?

Quando você está grávida passa a responder várias perguntas que se tornam repetitivas, mas existem três que são básicas:

1) Quantos meses?
2) Já sabe o sexo?
3) Já tem nome?

A reação para cada resposta é sempre muito parecida:

1) Nossa, mas sua barriga já está tão grande!
2) É tão bom ser mãe de menino!
3) Que nome lindo!!!

O nome do bebê foi definido há um mês aproximadamente. Eu já tinha como opção só que queria mesmo decidir só quando o bebê chegasse. Mas parece que isso é impossível nos tempos de hoje. As pessoas (até você) sentem necessidade de chamá-lo pelo nome.

Não tínhamos uma lista enorme, aliás era bem pequena com três ou quatro nomes. O marido não gostava de nenhum, mas gostou do nome que escolhi fora da lista. O nome escolhido foi Benjamin, cujo significado é filho da gabis felicidade. Lindo, né?! E aí sempre que respondo a terceira pergunta as reações são as melhores possíveis. Todo mundo se mostra surpreso e acha o nome lindo demais.

Só que essa última resposta me causou certa curiosidade quando li no aqui no Sopa de pai que a impressão que ele teve foi que poderia dizer qualquer nome e que todo mundo acharia "lindo". Achei super engraçado o teste que ele fez para tirar a prova e não aguentei...hoje realizei o meu teste.

Entramos numa loja de roupas para bebês, comprei um macacão lindo para o Meu Bem e a vendedora fez todas as perguntas básicas até chegar na pergunta que eu mais queria ouvir:

- Já tem nome?

ISSO! Era isso que eu queria ouvir. Vai ser agora. Uma pausa...

- Sim, ADONIRAN!

Silêncio.

- Nossa, diferente. Quer dizer, é um nome antigo né?!

Muda o assunto.

Por dentro eu dava gargalhadas. E o marido estava completamente sem graça, não acreditando que eu realmente tinha feito aquilo. Eu até fiquei com remorso, mas não conseguia deixar de pensar que esse não era exatamente o nome que eu queria ter dito. Eu já havia comentado com o marido esse meu plano e que os nomes escolhidos para utilizar seriam ERNESTO ou ADONIRAN. Mas na hora o Ernesto não veio. E acredite, esses nomes estavam na lista do meu marido para nome do nosso filho. Lista essa que eu nem cogitei.

Fiquei satisfeita com a reação da vendedora. E mais ainda por comparar com as reações das pessoas quando eu digo o nome verdadeiro. As pessoas realmente são sinceras ao dizerem que o nome é lindo, forte, incomum, de pessoa importante e até amoroso.

É claro que pode existir alguém que não goste do nome Benjamin, mas o fato é que a mamãe e o papai aqui gostaram muito. E tenho certeza que Meu Bem também vai gostar.

Eu ainda posso fazer o teste mais uma vez usando o nome que sobrou: ERNESTO.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Teoria de Gabis

Eu sempre quis ter uma menina, mas assim que soube da gravidez tive certeza que seria menino. Eu sonhava com menina, mas tinha certeza que seria menino. Quando o médico disse o sexo, foi um misto de sentimento, alegria e principalmente aquele gostinho de "eu já sabia"! Porque eu tinha certeza absoluta disso. Comecei a pensar em todos os lados bons de ter um filho menino, tipo eu não perderia a majestade de casa, é mais fácil de limpar, gasta menos, meninos são mais apegados a mãe. Sem contar todas as opiniões de todo mundo sobre o quanto é melhor o primeiro filho ser menino. Não me pergunte o motivo, isso ainda não sei e as respostas sempre são muito pessoais. Outro dia para surpresa do marido eu comentei com ele como estava feliz em ter um menino. Ele super estranhou e disse "mas você sempre quis tanto uma menina!". Eu respondi "pois é, mas imagina que saco ter que ficar arrumando a menina, que é cheia de flu flu, tudo rosinha, acordar bem mais cedo pra pentear cabelo, etc...". Aff. Não era pra mim. Acho que por isso me mandaram um menino. Vejo pela Capitu, eu queria tanto fêmea e hoje quem arruma a bichinha?! O Marido. Ele que penteia os pelos, arruma a chuquinha...resumindo: descobri que nasci para ser mãe de menino. Mas tudo isso para chegar a minha nova teoria. Homens que tem filho menino é sinal de que não pecou muito, foi um bom rapaz e respeitou as moças. Já os que tem meninas é sinal de que foi um cara malvado, aprontou bastante e agora vai pagar todos os seus pecados. Comentei isso com o marido e ele foi logo dizendo que foi um bom rapaz. Mas o fato é que ele é agora por que eu o salvei. E pensando bem, tadinho, ele já pagou seus pecados, afinal casou-se comigo...

domingo, 20 de fevereiro de 2011

coisas de gente grande

Quando comecei no mercado de trabalho achava o máximo os profissionais dizerem que estavam em reunião. Como desejei participar de várias... Que bobagem! Quando comecei a participar de reunião me achava o máximo e até importante. Ai que bobona! Agora que é normal participar de reuniões, eu acho um sacooooo! Tem coisa mais chata? Ainda bem que nesses tempos modernos o celular deixa de ser proibido e você pode disfarçadamente (é lógico) enviar ou responder um torpedo, atualizar as redes sociais...e que coisa mais banal participar de reunião, né? Hoje você liga para uma amiga e se ela não pode falar, está em reunião. TODOS participam de reuniões internas, externas, na mesa ao lado....

Dinheiro. Quando eu era pequena achava o máximo ver meus pais me dando dinheiro, pagando suas coisas, gastando. Achava que ter dinheiro era o ápice da independência. E torcia para ser gente grande logo. Comecei a trabalhar e vivia numa pendura. Putz grilo, tinha dias que eu não tinha dinheiro pra nada. O meu primeiro emprego foi num telemarketing, caraca ganhava pouco pra burro!!! Na empresa não tinha lugar para marmita, logo não podia levar. Eu e minhas colegas levávamos lanche e comíamos na escada até que um dia o zelador proibiu alegando que a gente deixava a escada suja. Uma calúnia! Aí a gente começou a comer cachorro quente de duas salsichas por R$0,5. Aff...eu tinha um receio de comer aquele hot dog. DUAS salsichas por R$0,50!!!! Muito estranho. E o carrinho do tio ficava LO-TA-DO! Depois tinha a faculdade....

Hoje independente. Acho super bacana ter o meu dinheiro. Comprar as minhas coisas na hora que quiser. O máximo que eu acho é poder sair pra almoçar (sem me importar muito se o restaurante é caro ou não) e dar o cartão de débito pra pagar. Acho tudo de bom. Aliás, ADORO sair pra comer e pagar. Porque mesmo que a gente fale “to sem dinheiro”, sempre tem um na conta. Acho que essa frase é mais força de expressão. E eu até me sinto mal quando uso essa frase. E fico brava com o marido quando ele diz também. Porque não ter dinheiro é triste.

Hoje eu não entendo porque quando eu era mais nova queria tanto ser gente grande. Brincar disso é legal, mas na prática...Ser gente grande não é lá essas coisas. Não me acho o máximo participando de reuniões e muito menos por ter que pagar contas. Eca!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Para meu bem

Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir

Pra você guardei o amor
Que sempre quis mostrar
O amor que vive em mim vem visitar
Sorrir, vem colorir solar
Vem esquentar
E permitir

Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar

Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar

Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar

Pra você guardei o amor
Que aprendi vem dos meus pais
O amor que tive e recebi
E hoje posso dar livre e feliz
Céu cheiro e ar na cor que o arco-íris
Risca ao levitar

Vou nascer de novo
Lápis, edifício, tevere, ponte
Desenhar no seu quadril
Meus lábios beijam signos feito sinos
Trilho a infância, terço o berço
Do seu lar

Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar

Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar

Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir

Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar

Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar

Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar

Pra você guardei o amor
Nando Reis