terça-feira, 29 de junho de 2010

Doidas e Santas

"Toda mulher é doida. Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a vida não vale a pena ser vivida, e dá-lhe usar nosso poder de sedução para encontrar 'the big one', aquele que será inteligente, másculo, se importará com nossos sentimentos e não nos deixará na mão jamais... Uma tarefa que dá para ocupar uma vida, não é mesmo?
Eu só conheço mulher louca. Pense em qualquer uma que você conhece e me diga se ela não tem ao menos três dessas qualificações: exagerada, dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante. Pois então. Também é louca. E fascinante.
Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota. Só as cansadas é que se recusam a levantar da cadeira para ver quem está chamando lá fora. E santa, fica combinado, não existe. Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseje mais nada? Você vai concordar comigo: só sendo louca de pedra."
(Trecho da crônica "Doidas e Santas", Martha Medeiros)

Antes mesmo de pensar em qualquer amiga pensei na pessoa que vos escreve.
Eu não tenho só três das qualificações citadas, tenho TODAS:
- Exagerada: eu sou completamente exagerada. Fazer um exame de sangue vira um show (de lágrimas);
- Dramática: a TV Globo não sabe o que tá perdendo;
- Verborrágia: eu falo repetida vezes o mesmo assunto, sem cansar, sem parar e sem respirar;
- Maníaca: eu sou maníaca-possessiva-por-várias-coisas;
- Fantasiosa: eu vivo fantasiando tudo, sonhando acordada;
- Apaixonada: sou completamente apaixonada pela vida, minha família, meus amigos, Capitu;
- Delirante: tem momentos que eu não falo coisa com coisa. Fico delirando;

Definitivamente eu sou LOUCA!
"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro."

Clarice Lispector

quarta-feira, 23 de junho de 2010

SEMPRE QUIS...

...ter um closet. E podia ser assim do tamanho do closet da Carrie.



...roupa nova todo dia.

Posso falar?

Eu odeio os meses: JUNHO, JULHO e AGOSTO!!!
Simplesmente odeio. São os meses da estação do ano que também não me agrada nada: INVERNO. Acho que esse é fator decisivo para eu não gostar desse período.
É um período lento, com dias cinzas, frio, úmido, sem luz do sol e faz eu me sentir vivendo num sótão, mesmo saindo diariamente de casa, vendo a cara da rua, indo para o trabalho. É como se existisse uma grande nuvem negra no céu.
Eu amo os meses: JANEIRO, FEVEREIRO, ABRIL, SETEMBRO, OUTUBRO e DEZEMBRO.
Concluisão: gosto apenas de metade do ano.
Hoje meu amigo no trabalho disse "você é engraçada, em janeiro falava que não via a hora de chegar junho, agora que estamos em junho está falando que não vê a hora de passar agosto". O fato é que eu sou um ser muito ansioso, apressado, agoniado, louco. É isso, eu sou LOUCA!
JUNHO já está chegando ao final. Amém!

terça-feira, 22 de junho de 2010

A elegância do Ouriço

Esse livro acaba de entrar para minha lista de livros preferidos. Algumas pessoas acham que eu leio muito. Quimera. Não sei quantos li, mas sei que li bem menos do que desejaria ter lido na idade que estou. Minha lista de preferidos é bem curta já li muito livro não muito legal, alguns bacanas, outros mais ou menos, uns que foram porcarias e alguns outros ficaram pela metade e nela acabo de inserir mais um: A elegância do ouriço, Muriel Barbery. Esse é o segundo romance da autora, o qual a fez reconhecida. Com ele, Muriel ganhou o Prêmio Jabuti de 2009. Esse livro é divino, incrível, lindo. Renéé, a zeladora do prédio da Rue de Grenelle, em Paris, é a narradora da história. Uma mulher de 54 anos que trabalha no prédio há 27. Observadora, refinada, inteligente, intelectual, elegante, Renée tenta manter a imagem de uma simples zeladora. Além dos relatos de Renéé, o romance traz anotações pessoais e filosóficas (Pensamentos profundos e o Diário do movimento do mundo) da menina Paloma, de 12 anos. Seu desafio é encontrar um sentido para a vida, cometerá suicido caso não encontre sua resposta até a data de seu aniversário de treze anos. Juntas as duas buscam respostas sobre a vida... e encontram Kakuro, figura redentora e novo morador do prédio. A história é surpreendente. O livro inteiro nos faz questionar sobre o tempo, a morte, a construção de uma vida. O final é triste, mas lindo. Prefiro livro com final triste, que me abate, me impacienta, me faça refletir a livros que me confortem. Porque o primeiro tipo muda algo dentro de mim, me transforma. Tenho um ganho imperceptível aos olhos dos outros. E quando termino um livro como esse sinto uma dorzinha no peito, vou sentir falta dele. Ao terminar de ler a Elegância do Ouriço senti vontade de começar a leitura tudo de novo. É um livro para ler outra vez.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Pequenas coisas incríveis

Existe beleza no mundo, é preciso apenas aprender a ver.
O essencial é não perder o olhar das pequenas coisas.
Essa pequena e simples beleza existe e posso apreciá-la da minha janela.

Eu estava triste nesse dia, por uma notícia recebida no dia anterior. Eu tenho um pouco disso, quando estou triste encontro algo para desanuviar a alma. Não fico a procurar algo, mas de repente algo belo surge diante de mim. Eu simplesmente agradeço. Essa é a minha prece.

domingo, 20 de junho de 2010

O outro lado

Ontem fui assistir pela 2ª vez o Sex and The City 2. Dessa vez com a companhia de Bruna e Nina. Depois do filme almoçamos juntas e jogamos conversa fora. Quanto tempo não fazia isso com elas! Entre o filme e o bate papo um pensamento ficou latejando minha cabeça. Carrie, personagem principal, casada há dois anos com o Big, afirma estar na crise dos dois anos de casada. Reclama que o marido não quer sair, que ele só quer ficar no sofá de casa vendo tevê e ao invés de sair para jantarem fora, ele prefere pedir comida para comer em casa. Meu sonho! Prova de que mulher nunca está satisfeita com nada. O apartamento deles não existe de tão lindo, tão impecável e tão perfeito. Em nenhum momento se vê uma empregada nele. Ela implica com essas coisas enquanto na vida real implicamos com a falta de ajuda e colaboração em casa. “Não estou pensando nisso agora, estou com outras prioridades e depois casa, tem que cuidar da casa...” escuto de uma das minhas amigas e retruco “mas também não é assim: casou e você não faz mais nada além de cuidar da casa”. Será que não, Gabriela? Fiquei a me questionar.

Charlote e Miranda, outras duas amigas de Carrie, vivem a maternidade. Charlote, mãe de duas meninas que dão imenso trabalho, está quase enlouquecendo e não quer deixar transparecer a realidade para as amigas. A realidade é revelada num momento em que estão Charlote e Miranda tomando umas. Resumidamente: ela ama suas filhas, mas estar longe delas está sendo ótimo. É crime assumir isso? Uma grande amiga minha já tinha me confidenciado esse “segredo”. Acho que não é todo mundo que entende. Só as mães e pessoas mais esclarecidas.

Acho que casamento pode ser comparado como ter um bebê. É maravilhoso, mas às vezes... E acho que só as mulheres casadas vão entender isso, porque essa revelação precisa ser bem compreendida.

O marido foi me pegar no metrô. Entrei no carro perguntando cheia de expectativas: “e aí como foi sua tarde, fez o quê, etc”. Nenhuma novidade que esperava estava na lista dos afazeres dele. Esperamos algo porque quando eles vão jogar bola, ficamos em casa e fazemos o que tem que ser feito. E para nós mulheres não precisa ser dito o que é preciso fazer. Enquanto para eles é preciso ficar falando “limpa aquilo ali, tira aquilo dali, guarda isso, faz assim, blá blá blá”. É um saco! Ou eles não enxergam ou tem um sensor que os impedem de ver o pó na televisão em que jogam vido-game, a sujeira da pia que eles acabaram de lavar a louça, que o banheiro precisa de um escovão, do chão sujo, da roupa de cama que precisa ser trocada, etc, etc, etc. Pior, meu marido tem até força de vontade, mas eu odeio ficar falando o que tem que fazer quando isso tá na cara. E depois nós mulheres somos....CHATAS! E eu ainda coleciono o adjetivo de BRAVA!

É isso aí. Nem tudo é perfeito.

Reticência

Silêncio, por favor.